Stael Moura da Paixão Ferreira – 2013-2
| TÍTULO |
| Representações da identidade nacional na fronteira Brasil-Bolívia: um estudo a partir da literatura. |
| AUTOR |
| Stael Moura da Paixão Ferreira |
| ORIENTADORA |
| Rosangela Villa da Silva |
| RESUMO
Este trabalho descreve a fronteira Brasil-Bolívia, não somente a partir das perspectivas histórica, geográfica e política, mas por meio da literatura e das suas múltiplas linguagens construídas neste território. A intenção foi pensar a literatura fronteiriça como expressão de cultura local, de nacionalismo, hibridismo e da própria identidade do sujeito nativo. No entanto, tanto no Brasil como na Bolívia, são poucas as análises de caráter acadêmico acerca destes temas e, no que tange ao posicionamento corrente e prospectivo dos estudos literários, são ainda mais escassos, ou incipientes. Tendo como objeto de estudo a produção das obras literárias nesta fronteira, a dissertação está estruturada em três eixos: o primeiro abrange reflexões nas expressões abordadas pelas obras literárias de maneira que haja visibilidade do reconhecimento da identidade cultural fronteiriça; o segundo contempla o papel das obras literárias da fronteira Brasil – Bolívia, por meio de estudo, analítico e sistemático. Discutem-se, então, a literatura fronteiriça como signo e representação que reafirmam a construção de uma identidade nacional fronteiriça numa perspectiva sócio – histórico – literária e que desvelam novos olhares sobre a literatura em zona de fronteira, caracterizada por uma mescla de culturas e de identidades locais, tendo como base a construção da ideia de pertencimento a uma nação, o dito “espírito nacional”. O terceiro eixo analisa o processo de criação, apresentando-se, enfim, uma abordagem na questão da identidade nacional à luz de obras de autores fronteiriços, criadores de muitos personagens que simbolizam e sintetizam um pouco a complexa realidade de fronteira. Por meio da literatura, abrem-se discussões em torno do papel da arte literária na fronteira Brasil – Bolívia, como forma de expressão, defesa e construção da identidade nacional do natural, além da estereotipação da figura do índio boliviano. Assim, em síntese, por meio de literatura comparada, a pesquisa efetuada nesta fronteira contemplou, no lado brasileiro, as obras de vários autores, mas, em especial, as obras Sarobá (1936) e Areôtorare (1935) do escritor Lobivar Matos e algumas obras do escritor, historiador e roteirista pantaneiro Augusto Cesar Proença e de Manoel de Barros, considerado um dos maiores escritores brasileiros. Em relação ao lado boliviano, foram utilizadas as obras Pueblo Enfermo e Raza de Bronce, de Alcides Arguedas, bem como a obra Sangre de Mestizos, de Augusto Céspedes, ambos autores bolivianos que tratam da difusão da ideia de uma consciência nacional. Tomaram-se as teorias de Perrone-Moisés, Raffestin,Jurandyr Ross, Marconi e Presotto e a crítica literária de Antonio Candidocomo esteios para compreensão desta nova visão de literatura de fronteira. Palavras-chave:Literatura; Cultura; Fronteira Brasil-Bolívia; Identidade; Fronteiriça. |

